sexta-feira, 16 de julho de 2010

A Saga do menino Diamante - uma ópera periférica

NOVA TEMPORADA DO ESPETÁCULO/FESTA

Folheto - Coperativa
 10x15cm.jpg

Sinopse:
Nosso espetáculo tem a pretensiosa vontade de narrar a saga da aventura humana.
Para contar esta história, utilizamos três prismas diferentes e simultaneamente unos, a saber:
1) o desenvolvimento do ser humano como ser social em sua saga histórica;
2) a construção da cidade como fruto e estímulo da ação do ser social;
3) a formação da consciência do indivíduo como apreensão particular do ser social;

VEJA VÍDEO NO YOUTUBE
http://www.youtube.com/watch?v=eBuGNdnWhqk&NR=1

Mapa do Local
http://maps.google.com/maps?f=d&source=s_d&saddr=Brazil+(Patriarca)&daddr=R.+Dr.+Frederico+Brotero,+60+-+Vila+Matilde,+S%C3%A3o+Paulo+-+S%C3%A3o+Paulo,+03552-080,+Brasil&hl=pt-BR&geocode=FanwmP4dmXA6_SHbvbjmXGpL_Q%3BFcXcmP4dK2k6_SmJdrbQs2DOlDEc6eSb8rFsbQ&mra=ls&dirflg=w&sll=-23.53391,-46.5013&sspn=0.009364,0.013711&ie=UTF8&ll=-23.534029,-46.501565&spn=0.009364,0.013711&z=16


www.doloresbocaaberta.blogspot.com

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Método

To pensando. Estamos num tempo histórico que indica - em diversas leituras dos setores da esquerda - um movimento de descenso do movimento de massas. Mas ao mesmo tempo é um período revolucionário, pois as contradições estão profundas, as chagas sociais crescendo, as diferenças aumentando, absurdos sendo cometidos pelos orgãos de comando dos Estados. Impérios sendo consatruídos pelas corporações. Crise de alimentos, crise energética, crise ambiental, crise cultural, crise da água, crise da violência, crise, crise, crise.
E nós? nós continuamos esperando o ascenso das massas! continuamos fazendo nossa luta cotidiana, nas especificidades delas todas. O que é muito justo, mas neste período de descenso para não desaparecermos astiamos nossas bandeiras o mais alto possível para nos identificarmos. A luta assim vai fragmentando-se.

Não conseguimos ter uma leitura parecida da realidade, lemos sim sua aparência, as dores, e reagimos sempre através da aparência lutando pelas melhorias da qualidade, mínima possível, para os setores de nossa classe.

Todas as nossas reinvidicações passam pelo sentimento de nacionalismo, quando nossa luta é internacional.
Estamos porque temos medo, ainda lutando pela fase da Social Democracia, quando já estamos nela e esta é a construção, precisamos dar o salto.

Quando é que iremos dizer que não nos interessa lutar por melhores salários pois o que queremos é tomar os meios de produção. Que eles sejam geridos pelos trabalhadores para as necessidades dos trabalhadores e não por necessidades burguesas deste ser social que somos.
A partir deste momento teremos um fato e a partir disto possibilidades de construir relações diferentes.

Mas estou pensando e vou pensar de vez em quando por aqui.

Gota

Fechou os olhos e ela escapou. Desceu faceira, alagando os caminhos entre os póros. Contornou a boca, gelou os ossos e dependurou-se brincante na ponta do rosto. Esta foi só a primeira, aventureira, desbravou o menino e deixou uma trilha. Logo outra a seguiu, e mais uma, e outra, os olhos inundados não conseguiam contê-las. Uma a uma somaram-se à primeira que aumentara curvando o corpo até que... mais uma foi suficiente. A gota enorme desprendeu -se lentamente e alçou vôo ao seu destino. O sol imerso em sua transparência dava contorno à liquidez, o mundo a espelhava, a terra a encontrou. Tremor. Tudo parou, o tempo mudou, a terra virou lama.
O corpo ergueu-se, olhou o horizonte, encheu o peito em suspiro profundo e andou.

xandi

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Toda dor perpassa um motivo a mais

que sua concretude.

Faz-se gotas em pele marcada

escorrendo rios em mares de lágrimas.

(Xandi)
“Eu gosto das frugais transgressões.”
Dos teus olhos mirante os meus
No horizonte finito do espaço.
Da perpetuação perene de gostares
Em ventos secos.
Das palavras percorrendo o ar
Por tempos indiferentes.

Mas palavra é alma.
É o oco do a.
O interstício da chama.
A plenitude dos beijos.
A tensão dos pêlos.
“Eu gosto das frugais transgressões”
E dos teus seios.

(xandi)

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Contação de histórias

O menino que carregava água na peneira

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino que
carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento
e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água,
o mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino, que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira,
com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de interromper o vôo de um pássaroo
botando ponto final na frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.

A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios com suas peraltagens
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos
.

Manoel de Barros (do livro Meninos e Águas)

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Corpo

La iglesia dice: El cuerpo es una culpa.
La ciencia dice: El cuerpo es una máquina.
La publicidad dice: El cuerpo es un negocio.
El cuerpo dice: Yo soy una fiesta.

(Eduardo Galeano)